Introdução

Telegram — um dos poucos mensageiros globais que desde o início foi considerado não apenas como meio de comunicação, mas também como uma plataforma de infraestrutura para a liberdade digital, privacidade e descentralização. A integração de tecnologias blockchain tornou-se uma continuação lógica dessa filosofia.

Fundação do Telegram e ideologia da descentralização

O Telegram foi fundado em 2013 por Pavel Durov após sua saída do VK. Princípios-chave do projeto:

proteção de dados pessoais,

resistência à censura,

independência das estruturas governamentais e corporativas,

escalabilidade global.

Já no estágio inicial, tornou-se evidente que o modelo centralizado tradicional de servidores tinha limitações. Isso impulsionou a equipe do Telegram a estudar a blockchain como base para a infraestrutura digital do futuro.

Telegram Open Network (TON): um início ambicioso

Entre 2017 e 2018, o Telegram anunciou o Telegram Open Network (TON) — um projeto de blockchain de grande escala, de nova geração.

Objetivos principais do TON:

alta capacidade de transação (milhões de transações por segundo),

pagamentos imediatos e baratos,

contratos inteligentes embutidos,

armazenamento descentralizado (TON Storage),

nomes de domínio (TON DNS),

serviços anônimos (TON Services).

Para financiar o projeto, foi realizado um dos maiores ICOs da história — cerca de US$ 1,7 bilhão de investidores privados.

Conflito com reguladores e saída do Telegram do TON

Entre 2019 e 2020, a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) reconheceu o token Gram como um título não registrado. Após os processos judiciais, o Telegram:

oficialmente encerrou sua participação no desenvolvimento do TON,

devolveu parte dos fundos aos investidores,

afastou-se do controle direto sobre a blockchain.

Este passo foi um marco importante para toda a indústria cripto, mostrando o conflito entre inovação e regulamentação financeira tradicional.

Rebirth do TON como uma blockchain independente

Apesar da saída do Telegram, o código do TON foi aberto, e o projeto continuou seu desenvolvimento por meio da comunidade. Assim surgiu The Open Network.

Características da nova versão do TON:

total descentralização,

ausência de controle por parte do Telegram,

comunidade ativa de desenvolvedores,

foco no usuário em massa.

Integração do TON e do Telegram: Web3 no mensageiro

A partir de 2022, o Telegram começou uma integração indireta, mas profunda com o TON, sem violar as restrições regulatórias.

Elementos-chave da integração:

@wallet — carteira cripto integrada,

pagamentos e transferências dentro dos chats,

Telegram Mini Apps e bots Web3,

presentes NFT e nomes digitais,

O TON como infraestrutura prioritária para a ecossistema do Telegram.

Na prática, o Telegram tornou-se o maior interface Web3 do mundo com uma audiência superior a 800 milhões de usuários.

Economia, NFT e ativos digitais

O Telegram experimenta ativamente com:

NFTs de nomes de usuário,

presentes digitais,

tokenização de direitos digitais,

monetização de canais e bots por meio da blockchain.

O TON é usado como camada de cálculo básica, garantindo escalabilidade e taxas baixas — parâmetros essenciais para adoção em massa.

Valor estratégico do Telegram para a indústria blockchain

O Telegram hoje é:

ponte entre Web2 e Web3,

plataforma para onboarding em massa de usuários na economia cripto,

infraestrutura para dApp, DAO e serviços digitais,

exemplo de descentralização suave sem posse direta da blockchain.

Conclusão

A história do Telegram e da blockchain é um caminho de um projeto centralizado ambicioso para uma ecossistema descentralizado maduro. O abandono do controle direto sobre o TON não enfraqueceu a influência do Telegram, mas, ao contrário, permitiu criar uma das plataformas Web3 mais resilientes e escaláveis do mundo.

O Telegram e o TON hoje não são apenas um mensageiro e uma blockchain, mas a base para a economia digital do futuro, onde comunicações, finanças e identidade digital se unem em uma única ecossistema.

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