
O BCE expande o programa de empréstimos de emergência em euros (EUREP) para quase todos os bancos centrais globais, visando aumentar o papel do euro no sistema financeiro internacional.
A decisão anunciada em 14/02/2026 ajudará muitos bancos centrais a acessar euros mais rapidamente quando os mercados estiverem voláteis, ao mesmo tempo que cria uma 'rede de segurança' semelhante aos mecanismos de suporte à liquidez dos EUA, reforçando assim a confiança em ativos denominados em euros.
CONTEÚDO PRINCIPAL
EUREP transferido do programa regional para aberto para quase todos os bancos centrais do mundo.
Cada banco aprovado pode emprestar até 50 bilhões de euros, garantidos por títulos da dívida pública da zona do euro de alta qualidade.
O BCE espera que este mecanismo de 'emprestador de última instância' aumente a confiança na manutenção de ativos em euros durante períodos de instabilidade geopolítica.
EUREP está aberto para quase todos os bancos centrais do mundo
O BCE permite que a maioria dos bancos centrais globais envie pedidos para participar do EUREP, em vez de limitar apenas a alguns países vizinhos da Europa, como antes.
Antes dessa mudança, o programa se aplicava apenas a 8 países próximos à Europa, incluindo Romênia, Hungria, Albânia e Montenegro. Com a nova alteração, quase todos os bancos centrais elegíveis poderão enviar pedidos para participar.
Os casos excluídos incluem organizações relacionadas à lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo ou que estão sob sanções internacionais. O processo de solicitação é realizado por meio de uma carta de solicitação formal do governador do banco central enviada diretamente ao presidente do BCE.
Limites e colaterais do empréstimo EUREP
Cada banco central aprovado pode emprestar até 50 bilhões de euros, com a condição de colateralizar com títulos da dívida pública da zona do euro de alta qualidade.
O BCE esclarece que o empréstimo deve ser garantido por títulos em euros de 'boa qualidade' emitidos por governos europeus. Esta estrutura visa reduzir o risco de crédito, ao mesmo tempo que mantém padrões de ativos colaterais compatíveis com os objetivos de estabilidade financeira durante períodos de forte volatilidade do mercado.
Data de implementação e nível de acesso total
As novas regras começam em julho de 2026 e os bancos centrais terão acesso total no terceiro trimestre de 2026.
O BCE afirma que o escopo de acesso e o tamanho dos recursos sob o novo framework são maiores do que antes. A implementação com a meta de julho de 2026 e a conclusão do 'acesso total' no terceiro trimestre de 2026 dá aos bancos centrais tempo para preparar documentos, colaterais e processos internos.
O BCE permite um uso mais flexível do euro emprestado e reduz a divulgação de detalhes.
O BCE removeu a exigência de empréstimos domésticos e passou a publicar dados de empréstimos em forma agregada semanalmente, em vez de por país.
Anteriormente, uma regra exigia que os bancos centrais utilizassem o euro emprestado para emprestar a bancos domésticos. Esta regra foi eliminada, permitindo que o mutuário use euros conforme necessário para a gestão de liquidez e a estabilidade do mercado.
O BCE também interromperá a divulgação de dados detalhados por país e publicará apenas dados agregados semanalmente. Esta abordagem visa aumentar a privacidade durante períodos de tensão no mercado, quando informações sobre a demanda por liquidez podem causar efeitos psicológicos indesejados.
O BCE vê o risco geopolítico como o principal motor da mudança
A presidente do BCE, Christine Lagarde, acredita que a instabilidade política, a interrupção das cadeias de suprimento e a concorrência empresarial acirrada tornam necessário um mecanismo para acessar euros de forma rápida, fácil e duradoura.
No mesmo dia da Conferência de Segurança de Munique, Christine Lagarde apresentou ajustes e descreveu o novo programa como mais rápido, mais fácil de usar e mais permanente. O argumento central é que, em tempos de tensão financeira, o acesso oportuno ao euro reforçará a confiança pública no euro.
O BCE afirma que esta abordagem é semelhante ao programa FIMA do Federal Reserve dos EUA, que permite que instituições estrangeiras acessem USD quando têm como colateral títulos do Tesouro dos EUA, visando apoiar a estabilidade do mercado. O objetivo do BCE é criar uma rede de segurança semelhante para o euro.
Uma rede de segurança de liquidez pode ajudar a aumentar a demanda por ativos em euros ao longo do tempo.
Se investidores e bancos centrais acreditarem que euros podem ser disponibilizados rapidamente em crises, eles podem estar mais dispostos a manter e usar ativos em euros.
O BCE destaca que o euro ainda está muito atrás do USD nas reservas de divisas globais: o euro representa cerca de 20%, enquanto o USD representa cerca de 60%. No entanto, ter uma fonte de 'backup' em euros para os bancos centrais pode gradualmente afetar a tendência de manter reservas e alocar ativos.
Quando as instituições acreditam que podem acessar euros rapidamente, se necessário, a motivação para manter ativos denominados em euros pode aumentar. Isso pode se espalhar para o comércio, empréstimos e investimentos em euros, especialmente durante períodos de volatilidade do mercado e aumento súbito da demanda por liquidez.
Esses programas de emergência são frequentemente pouco utilizados em períodos normais, mas o 'efeito sinal' é significativo. Quando ocorre estresse no mercado, os mecanismos disponíveis podem ajudar a conter a espiral psicológica e reduzir o risco de ruptura da liquidez.
“Esse mecanismo também reforça o papel do euro. Ter um 'emprestador de última instância' para bancos centrais em todo o mundo ajuda a aumentar a confiança para investir, emprestar e negociar em euros, sabendo que ainda haverá acesso em períodos de interrupção do mercado. Em um mundo onde a dependência das cadeias de suprimento se tornou um ponto fraco de segurança, a Europa deve ser uma fonte estável - para nós mesmos e para nossos parceiros.”
– Christine Lagarde, Presidente do BCE, falando na Conferência de Segurança de Munique (2026)
Perguntas frequentes
O que é EUREP e para que serve?
EUREP é o programa de empréstimos de emergência do BCE, fornecendo liquidez em euros para bancos centrais quando os mercados financeiros estão voláteis, visando apoiar a estabilidade do sistema e reforçar a confiança no euro.
Qual é o máximo que um banco central pode emprestar sob o EUREP?
Cada banco central aprovado pode emprestar até 50 bilhões de euros, com a exigência de ter como colateral títulos da dívida pública da zona do euro de alta qualidade.
Quando entram em vigor as novas regras do EUREP?
As novas regras começam a partir de julho de 2026 e o acesso total será implementado no terceiro trimestre de 2026.
O BCE ainda publica dados de empréstimos por país?
Não. O BCE interromperá a divulgação de detalhes por país e publicará apenas dados agregados semanalmente para aumentar a privacidade em suas operações.
